sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Joanna Connor e Flora Almeida by Dugabowski

Prestigiando as mulheres: Joanna Connor e Flora Almeida, duas blueseiras de respeito.

Dando um refresco no machismo (o.k., eu sei que é involuntário) que tem impregnado o blog ultimamente (onde estão as cantoras e/ou instrumentistas boas ou – também serve – as boas cantoras e/ou instrumentistas?), seguem dois discos de duas maneiríssimas representantes do sexo feminino no terreno predominantemente masculino do blues; uma americana, Joanna Connor, e uma brasileira, Flora Almeida. A primeira, mais conhecida, com o seu elogiado disco, “Believe It!” (“album pick” no allmusic), e a segunda, praticamente desconhecida (uma lástima, pois é uma artista talentosa; mas, infelizmente, Brasil é Brasil... fosse lá fora, seria famosa, sem dúvida), com seu excelente álbum gravado ao vivo, “Não Pare Na Pista” (não se iludam com o nome; não tem nada de “disco music”; é puro blues).

Um pouco da vida das senhoras, começando pela Joanna Connor, com a sua minibiografia escrita por Richard Skelly para o site allmusic (Joanna tem o seu site oficial na Internet: www.joannaconnorband.com, mas a parte biográfica ainda está em construção).

O que faz Joanna Connor diferente das demais mulheres blueseiras é a sua habilidade na guitarra. Embora Connor tenha se tornado, com o passar do tempo, uma cantora realizada, sua primeira paixão foi tocar guitarra, e ela mostra isso nos seus shows e discos.

Nascida em Brooklyn e criada em Massachussetts, Joanna foi atraída para a cena blueseira de Chicago como uma abelha por uma lata de refrigerante. Guitarrista ardente, crescida nos anos 70 – quando o rock & roll estava no auge –, ela só queria tocar blues. Nascida em 31 de agosto de 1962, no Brooklyn, New York, porém criada em Worcester, Massachussetts (comentário meu: isso já foi dito mais atrás, o que mostra que as biografias em inglês dos músicos, de maneira geral, são mal escritas, repetitivas e – por que não dizer? – maçantes, mas de tradução necessária, justamente para atender àqueles que se interessam em conhecer os artistas e não dominam bem a língua inglesa, que é o meu caso, um monoglota em princípio irrecuperável, mas que, mesmo devagar, vem aprendendo, graças ao meu inseparável porém irritante software de tradução... e conhecimento, vamos convir, nunca é demais, qualquer que seja), Joanna se beneficiou da grande coleção de discos de blues e jazz da sua mãe, tendo sido levada, ainda jovem, para ver concertos de Taj Mahal, Bonnie Raitt, Ry Cooder e Buddy Guy.

Connor ganhou sua primeira guitarra aos sete anos. Quando completou 16 anos, ela começou a cantar na zona musical de Worcester, mudando-se para Chicago com 22 anos. Logo após a sua chegada em 1984, ela começou a reunir-se com a confraria bluseira do lugar, como James Cotton, Junior Wells, Buddy Guy e A. C. Reed, acabando por juntar-se, ainda que por pouco tempo, ao grupo de Johnny Littlejohn antes de ser convidada por Dion Payton para participar da sua banda, a 43rd Street Blues Band. Connor apresentou-se com Payton no Chicago Blues Festival em 1987. Mais tarde, naquele ano, estava pronta para formar sua própria banda.

O primeiro disco de Joanna foi “Believe It!”, de 1989, para a gravadora Blind Pig, álbum que a fez sair de Chicago e frequentar clubes e festivais ao redor dos Estados Unidos, Canadá e Europa. Seus outros discos incluem “Fight”, em 1992, para a gravadora Blind Pig (a faixa-título é uma música de Luther Allison), “Living On The Road”, de 1993, e “Rock And Roll Gypsy”, de 1995, os dois últimos para o selo Ruf Records (comentário meu: no site allmusic, o disco “Living On The Road” aparece como uma gravação do selo Inak, informação confirmada no site da Amazon; errou, portanto, o atrapalhado biógrafo). Seguiram-se “Slidetime”, para a Blind Pig, em 1998 (comentário meu: antes de “Slidetime”, Joanna também gravou, em 1996, o álbum “Big Girl Blues”, pela etiqueta Ruf Records, que foi “esquecido” por Richard Skelly, malgrado conste no site allmusic; o sujeito é mesmo um trapalhão...), e “Nothing But the Blues”, uma gravação ao vivo de um show na Alemanha, em 1999, lançado pelo selo germânico Inakustik, em 2001. Connor deixou a Blind Pig e assinou com a M. C., uma pequena gravadora independente, em 2002. Seu primeiro trabalho para a M. C., “The Joanna Connor Band”, buscou adequar o seu som com vistas a um público maior, mais popular.

Connor floresceu como compositora de blues. E é o seu talento de compositora, fortemente influenciado por grandes blueseiros, como Luther Allison, que irá lhe assegurar um lugar no topo pelos próximos anos.



Joanna Connor (1989) Believe It!

Músicos:
Joanna Connor, guitar and vocals
Anthony Palmer, second guitar
B. J. Jones, drums
Stan Mixon, base
Martha Parker, background vocal arrangements
Jacqueline and Denise Parker, background vocals
Phil Baron, keyboards
Garrick Patton, alto saxophone
John Zdon plays tambourine e Matt Snyder plays conga on When You’re Being Nice

Faixas:
1. Texas Flyer (King, Vernon, Davis, Tench, Harper, Ferrone)
2. He’s Mine (J. Connor)
3. Doctor Feelgood (A. Franklin, T. White)
4. I’m Satisfied (M. Dollison)
5. When You’re Being Nice (J. Connor, M. Sampson)
6. Pack It Up (Chandler, Gonzales)
7. Everybody I Know (W. R. Emerson)
8. Playing In The Dirt (D. Amy, R. Cray)
9. Soul’s On Fire (Harris, Mandel, Lagos, Resnick, Conte)
10. Somebody’s On Your Case (E. Randle)
11. Good Rockin’ Daddy (Joe Bihari, Richard Berry)


[MU] [89MB @320kbps]
Covers


Agora, uma mostra da carreira de Flora Almeida, extraída do seu site oficial, www.floraalmeida.com.br, em forma cronológica, como ali está exposta (trechos apenas, já que o texto é longo; quem quiser maiores informações sobre a cantora, acesse o seu site, recém-citado);

1983 – Inicia participando como vocalista do show do compositor gaúcho Carlinhos Santos, no Auditório da Assembléia Legislativa do Estado do RS;
1984 – Estréia o primeiro show “Mulher, Verso e Reverso”, no Teatro de Câmara em Porto Alegre;
1985 – Show “Três Anos Sem Elis” no Auditório da Assembléia Legislativa do Estado do RS;
1986 – Show “Sai Dessa”, no Teatro Renascença, em Porto Alegre, RS;
1987 – Integra o elenco do espetáculo “20 Anos Blue”, juntamente com Adriana Calcanhotto, Luciana Costa, Muni e Mareu Nitsche, no Teatro São Pedro;
1988 – Lançamento do disco, em produção independente, “Acordei Bemol, Tudo Estava Sustenido”, classificado pela crítica especializada entre os cinco melhores lançamentos do ano;
1989 – Fixa residência em São Paulo, divulgando o disco;
1990 – Estréia em janeiro nos palcos do Rio de Janeiro com um show de composições de Carlos Sandroni, ao lado de Carlos Sandroni, Adriana Calcanhotto, Muni, Coca Barbosa, Luciana Costa; em março, muda-se para o Rio de Janeiro;
1991 – Gravação do programa de jazz de Roberto Moura para a TV Educativa do Rio de Janeiro, no People; inicia, juntamente com a cantora Luciana Costa, um trabalho de releituras de ritmos e temas nativos do Rio Grande do Sul, no Mistura Up, Rio de Janeiro, “The Country Gurias”; com a saída de Luciana Costa encerra-se o projeto “The Country Gurias”;
1992 – Gravação do disco com releituras de temas e ritmos do Rio Grande do Sul baseado no show “The Country Gurias”;
1993 – Retorna à Porto Alegre, com o show “Flora canta Noel”, para o Projeto “A Música Brasileira do Século XX”, na Usina do Gasômetro;
1994 – Show “Singular”, no Teatro Renascença e Auditório do Instituto Goethe em Porto Alegre.
1995 – Recebe o Prêmio Açorianos de Música como Melhor Cantora – Prefeitura de Porto Alegre;
1996 – Março: “Flora Almeida & Kozmic Blues”, a realização de uma antiga idéia que era montar uma banda formada somente por mulheres;
1998 – Lançamento do disco “Acordei Bemol, Tudo Estava Sustenido” em CD, financiado pelo FUMPROARTE;
2001 – Lançamento do CD “Não Pare na Pista”, em abril, no Teatro de Elis; viaja em agosto para a Suíça onde faz show na cidade de Basel; grava uma participação no disco do músico Paul Jacob em Zürich; volta após quatro meses viajando pela Alemanha, França e Itália;
2003 – Retorna à Europa para uma temporada de 30 dias cantando em Genebra; fica mais 3 meses viajando;
2004 – De volta a Porto Alegre monta o espetáculo “Lady Day Today” com canções de Billie Holiday, com o qual tem se apresentado tanto no Brasil quanto no Exterior.

Uma observação derradeira: as comparações muitas vezes são injustas, mas, sinceramente, taco a taco, sou mais o disco da Flora Almeida (tem alma, acima de tudo) do que o da Joanna Connor (good but dispassionate); então, segundo o meu placar, construído sem xenofobia e sem xenofilia, Brasil 1 x 0 USA (ganhamos deles, e não é futebol...).



Flora Almeida (2000) Não Pare Na Pista

Músicos (Kozmic Blues Band):
Flora Almeida: voz
Adrianne Simioni: guitarra
Lorena Sá: teclado
Paula Nozzari: bateria
Claudia Braga: backing vocal
Juliana Veronezzi: backing vocal
Luciano Albo: baixo

Faixas:
1. Baby Vem Com A Mama (Paula Nozzari, Flora Almeida, Carla Kieling)
2. True Love (Flora Almeida, Carla Kieling, Lorena Sá)
3. Blues Com Tesão (Flora Almeida)
4. I Don't Need Your Love (Flora Almeida, Carla Kieling, Paula Nozzari)
5. Não Pare Na Pista (Raul Seixas, Paulo Coelho)
6. Let The Good Times Roll (Moore, Thread)
7. I Need A Little Sugar In My Bowl (C. Willians, Small Brymn)
8. Solitário Blues (Domingos O’Cray)
9. Amtrak Blues (Alberta Hunter)
10. Same Old Blues (D. Nix)


[MU] [82MB]

Um comentário:

Rafael M. disse...

FAVOR REPOSTAR o disco da Flora, o "Não Pare Na Pista", pois infelizmente o link está morto e há tempos que eu procuro por ele. POR FAVOR, ATENDA a este meu singelo pedido. Conto com a sua compreensão e aguardo por uma resposta.

Grato.