quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Merl Saunders & Jerry Garcia: dois discos


Dois discos da dobradinha Merl Saunders e Jerry Garcia, ambos gravados em 1973, mas somente o primeiro foi lançado no mesmo ano da gravação; o segundo, com material inédito, só saiu em CD em 1988 (a versão em CD do primeiro disco também foi lançada em 1988). Um clima meio jazzístico predomina nos arranjos, talvez por influência de Saunders, embora não faltem os longos improvisos de Garcia, como de hábito. Acho que vale um label...




Merl Saunders & Jerry Garcia (1973) Live at Keystone [Double LP]

Músicas:
1. Finders Keepers, Loser Weepers (Bowen, Johnson) 6:38
2. Positively 4th Street (Dylan) 7:45
3. The Harder They Come (Cliff) 6:20
4. It Takes A Lot To Laugh, It Takes A Train To Cry (Dylan) 7:03
5. Space (Garcia, Kahn, Saunders, Vitt) 3:53

6. It’s No Use (Clark, McGuinn) 9:34
7. That’s All Right, Mama (Crudup) 4:18
8. My Funny Valentine (Hart, Rodgers) 18:06
9. Someday Baby (Hopkins) 10:13
10. Like A Road (Nix, Penn) 10:58
Músicos:
Merl Saunders: Keyboards
Jerry Garcia: Guitar, Vocals
John Kahn: Bass
Bill Vit: Drums
David Grisman: Mandolin ("Positively 4th Street")






Saunders, Garcia, Kahn, Vitt (1973) Keystone Encores

Músicas:
1. Hi-Heel Sneakers (Higgenbotham) 8:12
2. It’s Too Late [She’s Gone] (Willis) 7:44
3. I Second That Emotion (Robinson, Cleveland) 10:57
4. One Kind Favour (Jefferson) 6:36

5. Money Honey (Stone) 8:19
6. How Sweet It Is (Holland, Dozier, Holland) 10:20
Músicos:
Merl Saunders: Keyboards
Jerry Garcia: Guitar, Vocals
John Kahn: Bass
Bill Vitt: Drums




Lindsay Planer comentou (mal, na minha opinião, com um texto ruim, muitas vezes incompreensível e recheado de gírias [quase] intraduzíveis, além de conter um erro informativo) o trabalho da dupla para o site allmusic, que segue, em tradução livre do inglês.
Esse lançamento de 1973 ostenta um combo da Bay Area, co-liderado por Merl Saunders (teclados) e Jerry Garcia (guitarra), durante uma pausa de Garcia com o Grateful Dead. Junto com os dois posteriores volumes de “bis” das sessões, Live at Keystone [Double LP] (1973) foi elaborado nos dias 10 e 11 de 1973, período em que o quarteto ficou confinado no Keystone Korners (comentário meu: é um bar/clube de jazz) em Berkeley. Com o apoio de Bill Vitt (percussão) e John Kahn (baixo), a dupla tocou uma variedade eclética de covers e alguns igualmente inspirados sets instrumentais. O clavinet e o Hammond B-3 comandando “Keepers” (aka “Finders Keepers”) é um arranjo da equipe de Saunders e Kahn. Esse funky rocker pulsando através de grudentas interações fazem lembrar Sly Stone e/ou Billy Preston. A interpretação do grupo para “Positively 4th Street’ – o primeiro dos dois covers de Bob Dylan – é descontraída e bluseira, permitindo a Garcia estender-se entre os versos. Sua voz apaixonada entrelaça-se com o órgão de Saunders, gerando uma empatia noir (comentário meu: não me perguntem o que isso quer dizer... por favor! Eu conheço literatura noir, filme noir; agora, empatia noir...). De notar que o bandolim de David Grisman não fazia parte da gravação ao vivo, tendo sido inserido depois. Por outro lado, “The Harder They Come”, de Jimmy Cliff, é tocada com um contagiante ritmo sincopado, que desliza etéreo, com os acentos do teclado de Saunder imitando o som de um aerofone. “It Takes A Lot To Laugh, It Takes A Train To Cry” recebe um tratamento lânguido e dançante, que é destacado pelo trabalho mais incendiário de Garcia nessa coleção. “Space” foi registrada em etapas – um pouco de free jazz, que inicialmente foi precedida de “Someday Baby”, de 10 de julho. John Kahn realmente brilha entre o cuidadoso Saunders e o viajante Garcia. Esse eminente conjunto improvisador recorda as improvisações sonoras da Grateful Dead, particularmente as seminais perfomances de “Playing In The Band” e “Eyes Of The World”, da década de 70. Do mesmo modo, antecipa a direção que a Dead vai seguir no disco altamente sofisticado e influenciado pelo fusion, “Blues For Allah” (1975). A edição em CD, de 1988, trouxe “Merl’s Tune”, não registrada anteriormente (comentário meu: a resenhista equivoca-se: essa música saiu no 1º volume da coleção, mas não no disco aqui comentado, que engloba os dois volumes). O estendido título instrumental (comentário meu: a referência é ao subtítulo do CD, que enfatiza esse aspecto) serve para mostrar um lado mais agressivo da banda, com a sua mistura de R&B e jazz. Mais uma vez, Garcia e Saunders se alimentam mutuamente nos seus solos e negociam entre si uma variedade de sons.

2 comentários:

Dead or Alive disse...

Vou lhe confidenciar um segredo: Nunca fui muito amante do Jerry e seu som, mas depois que comecei a ouvir o Phil Lesh bem mais maduro eu retornei ao principio e alguns discos do Grateful são simplesmente inimitáveis, um deles o Blues for Allah que já me deletaram umas 05 x,rs
Agora o Jerry em parcerias é sempre interessante prq apesar de viajandão (todo mundo reclama do Sergio Hinds, mas só quem já passou horas com ele ouvindo o que ele faz pra saber do que é capaz)ele sei lá tem uma quimica diferente, uma essência diferente, tem algo nele que não o deixa morrer, apesar que amigos como o Jolly Joker postam tudo dele, mas aí é de gosto mesmo, mas só posso dizer, mais um belo post que arrasto no dente pra alcatéia.
Valeu meu irmão.
Enjoy!!!!!!!!!!

dugabowski disse...

Obrigado pelo comentário, Dead. Tenho a impressão que tu não vais te arrepender, e a alcatéia também. Na minha opinião, o Jerry Garcia é um artista de altos e baixos, em face da sua enorme produção (acredito que ele já tocou com quase todo mundo da sua época... acho que nunca recusava uma jam). Por exemplo: os trabalhos dele com o David Grisman (que, por sinal, toca numa faixa de um dos discos aqui postados) não fazem a minha cabeça, porque eu não gosto de bluegrass. Mas também penso que os seus altos são maiores do que os seus baixos. Resumindo: um artista fora de série, pro meu gosto, e cuja influência é imensurável. Um grande abraço.